Existem frases que nos fazem refletir…
“Estamos todos no mesmo mar, mas não no mesmo barco” é um exemplo claro disso. Mas, primeiro, vamos entender o contexto.
Eu nunca me esqueço de duas frases de caminhão que, de tão irônicas, me fizeram refletir. Uma delas, inclusive, me faz rir sempre que lembro.
A primeira é esta:
“Se dinheiro não traz felicidade, doe todo o seu dinheiro para mim e seja feliz…”
De fato, é quase um axioma, uma verdade incontestável dentro da ironia da própria frase. Geralmente, quem diz que dinheiro não traz felicidade já é rico ou abastado e também hipócrita, pois, mesmo falando isso, não aceita doar seu dinheiro para ser mais feliz.
É claro que dinheiro sozinho não compra felicidade, amor, amizade verdadeira ou paz de espírito. Mas também não podemos fingir que ele não interfere diretamente na qualidade de vida, na segurança e até nas oportunidades que cada pessoa terá pela frente.
A segunda frase eu li, na verdade, numa Kombi velha, quando voltava do Guarujá há uns oito anos, e nunca me esqueci dela:
“Na dúvida, consulte sempre um bananeiro.”
Sim, um bananeiro!
Fazendo uma divertida comparação com aquela famosa frase dos advogados:
“Consulte sempre um advogado.”
Achei tão divertida essa segunda frase que, sempre que lembro dela, acabo rindo, pois fico imaginando alguém diante de uma terrível questão da vida procurando um bananeiro para pedir orientação.
Talvez o mais interessante dessas frases seja justamente isso: algumas nos fazem rir, outras nos fazem pensar e algumas conseguem fazer as duas coisas ao mesmo tempo.
Já a frase que dá título a este texto — “Estamos todos no mesmo mar, mas não no mesmo barco” — é diferente.
Ela é uma frase de impacto e nos obriga a pensar: será mesmo que estamos todos no mesmo barco? Ou estamos apenas navegando pelo mesmo mar?
Porque o mar pode ser o mesmo.
A tempestade pode ser a mesma.
O vento pode soprar para todos.
Mas os barcos definitivamente não são iguais.
Enquanto alguns atravessam uma tempestade dentro de grandes navios, protegidos e cercados de recursos, outros tentam enfrentá-la em pequenos barcos. E há ainda aqueles que, infelizmente, talvez estejam apenas tentando encontrar alguma coisa em que possam se agarrar para não afundar.
É por isso que duas pessoas podem enfrentar exatamente o mesmo problema e sofrer de maneiras completamente diferentes.
Uma pessoa pode perder o emprego tendo dinheiro guardado, uma família que a apoia e possibilidades de recomeçar. Outra pode perder o mesmo emprego sem ter nenhuma reserva, com contas vencendo e pessoas dependendo dela.
O problema pode até ter o mesmo nome.
Mas o barco é outro.
Talvez seja por isso que precisamos tomar cuidado antes de julgar a dificuldade de alguém olhando apenas para a nossa própria realidade.
Às vezes dizemos:
“Se eu consegui, qualquer um consegue.”
Mas será mesmo?
Talvez aquela pessoa esteja enfrentando o mesmo mar que nós, porém dentro de um barco completamente diferente.
E acredito que compreender isso não significa sentir pena de ninguém. Significa apenas desenvolver algo que parece estar cada vez mais raro: empatia.
Agora veja novamente a imagem desta postagem e pense por alguns segundos.
Estamos todos no mesmo mar, mas não no mesmo barco.
Talvez essa frase seja também uma espécie de axioma — uma verdade que está diante dos nossos olhos todos os dias, mas que nem sempre queremos enxergar.
No fim das contas, todos estamos tentando atravessar esse grande mar chamado vida.
Alguns em navios.
Outros em barcos.
Outros em pequenas canoas.
E talvez o mínimo que possamos fazer seja não criar mais ondas para quem já está lutando para não afundar. E de tudo isso o mais importante, é termos fé no mesmo Deus pois Ele sempre será o nosso socorro bem presente não importa o mar, nem se no Iate, colete salva vidas ou a braçadas.
Meu abraço forte e reconfortante,
HC de Souza