“Assassinos” do elefante Sandro do zoológico Quinzinho de Barros em Sorocaba

Caro leitor…

Imagine você: nasceu e cresceu numa casa de tamanho médio, você conhece todo mundo à sua volta, principalmente aqueles que te dão alimento, água, banho. Até as pessoas que você encontra no dia a dia já são suas conhecidas naturalmente. Ok. Imaginou?

Daí você vive 40 anos dessa forma, e é sua vida, é seu ambiente e você sabe que amanhã será igual, na semana que vem, no mês que vem e até no ano que vem… Aparentemente tudo está bem e não há por que mudar.

Mas daí, num belo dia, gente que nunca te conheceu, nem sabe nada dos seus gostos e hábitos de vida, decide que vai te mandar para uma mansão.

Aparentemente, nossa! Mas que maravilha, vão te mandar para uma mansão! Sim, uma mansão! Wow!

Mas será que você gostaria de sair da sua casa, onde cresceu e viveu por 40 anos, e ir morar numa mansão que você nunca viu na vida? Quem serão os moradores dessa mansão? Quem é que cuida de você por lá e, principalmente, será que terá o mesmo amor? E os vizinhos? Serão amigáveis ou inimigos? Enfim…

Dito isso, é assim que vejo a transferência do elefante Sandro do Zoológico de Sorocaba para o tal santuário no Mato Grosso.

Ongueiros e gente famosinha querendo aparecer acharam que o bicho deve ser transferido para lá, bem como, há não muito tempo, também acharam outros que o chimpanzé Black, que vivia no mesmo local, também tinha de ir para um tal de santuário não tão longe daqui… Mas o que foi mesmo que aconteceu com o chimpanzé Black? Ah, tá, ele morreu dois anos depois, por “causas inconclusivas”. Ah, e quem mesmo foi responsabilizado ou se sentiu no mínimo culpado? Ah tá, ninguém…

Um animal se apega ao local onde vive, ele tem emoções e sentimentos que não são considerados por pessoas que só pensam em exibicionismo e dinheiro.

Quem é que disse que o elefante Sandro será feliz para onde estão levando ele? Quem é que vai ser responsabilizado se ele começar a sentir tristeza e morrer? Simples… ninguém.

Assim é a vida desses animais. Eles nunca deveriam ter sido retirados de seus habitats naturais, isso é certo. Mas, uma vez que foram, deveriam ter seu direito à felicidade preservado pelas leis, porém não é isso que vemos.

Pode ser que ele viva mais dez ou vinte anos lá, sim, de repente… Mas quem é que vai garantir que ele será feliz…

Mas eu tenho a certeza de uma coisa. Ele seria muito mais feliz se vivesse o resto de seus dias no zoológico onde viveu com sua companheira Raíza por tantos anos. Mas isso ninguém quer saber. Nem prefeito, nem agentes da lei, vejo apenas interesses, dinheiro, interesses fajutos pela vida do elefante, de gente que nem sabe o que faz e nem nunca chegou perto dele.

O elefante Sandro tem hoje cerca de 54 anos, se ele vive há mais de 40 anos no Zoológico Quinzinho de Barros, alguém aí acha que “esse cara” será feliz longe dali? No meu ponto de vista, isso é desumano e esses “ongueiros” assinam um atestado de falta de bom senso, e de sentimentos pelo animal. É uma pena que o prefeito nada fez de fato. Se quisesse teria feito mais, poder ele tem para isso. Mas ok.

Enfim, para finalizar, eu desejo de todo meu coração que o transporte seja bem-sucedido e que o elefante Sandro seja feliz e, principalmente, protegido e não esquecido nesse tal de santuário.

“Talvez o maior erro que cometamos com os animais seja acreditar que, por decidirmos o destino deles, também sabemos aquilo que os faz felizes.Adeus, Sandro, que Deus o acompanhe na longa jornada…

Meu abraço forte e reconfortante,

HC de Souza

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