Recentemente me lembrei de um episódio que aconteceu comigo no verão de 2010, quando fui para um lugar de cavernas junto com um grupo. Desse grupo, a única pessoa que eu conhecia era uma amiga da faculdade. Recordo que apenas eu e ela não éramos um casal; todos os outros eram comprometidos.
Fomos até lá para passar um fim de semana em meio à natureza selvagem.
Quando chegou a noite, fomos a uma espécie de balada que fizeram em uma chácara. Depois de algum tempo, todo mundo já tinha bebido alguma coisa e estávamos dançando — ou supostamente dançando…
Em determinado momento, o marido de uma das mulheres do grupo começou a se aproximar de mim e a dar ombradas, claramente querendo arrumar uma briga.
Eu não entendi absolutamente nada.
Afinal, a esposa dele não fazia meu tipo. E, mesmo que fizesse, respeitar a mulher do próximo é uma obrigação minha perante Deus.
Então eu me afastava do “bicho”, mas ele vinha atrás, até que a própria esposa o puxou para o lado.
Eu não tinha a menor intenção de entrar em confusão. Até porque estava passando por uma fase ruim, meio triste, e aquilo não acrescentaria absolutamente nada de positivo à minha vida.
Mas por que estou contando essa breve história?
Porque anos depois reencontrei aquela minha amiga da faculdade e contei a ela esse episódio ridículo. Foi então que ela me disse algo em que eu nunca havia pensado:
“Isso foi só inveja daquele tonto. Ninguém gosta muito dele porque ele é muito invejoso e arrumador de confusão. Como você era o mais bem vestido do grupo, isso pesou aos olhos dele…”
Não perdi muito tempo pensando no assunto naquela época.
Porém, com o passar dos anos, comecei a observar o quanto a inveja masculina pode ser perigosa.
Às vezes, um homem rico e abastado pode sentir inveja de um pobre. Não por algum bem material que o outro tenha, mas porque aquele sujeito possui um tipo físico que ele gostaria de ter, uma aparência que ele gostaria de ter, uma personalidade que ele não possui ou alguma qualidade que dinheiro nenhum conseguiu lhe dar. Isso gera nele, um tipo de raiva que nem ele próprio sabe de onde vem.
Então ele trata mal o cliente, o paciente, o funcionário ou até o sujeito que acabou de conhecer porque, apesar de ter dinheiro, posição ou status, naquele instante se sentiu inferior ao outro.
Muitas vezes, andando pela rua, passo perto de algum “mano” — velho, novo, magro, gordo, não importa — e já ouço o sujeito puxar uma catarrada e fazer aquele teatro como se fosse cuspir perto de mim. Isso significa: “Senti nojo de você ao ponto de escarrar”. Triste isso mas acontece sempre e em todo lugar, uma clássica demonstração de pobreza de espirito irremediável.
Às vezes me pergunto: o que eu fiz para esse sujeito que nunca vi na vida?
Talvez alguma coisa em mim simplesmente tenha incomodado alguma coisa dentro dele.
Não sei se você, leitor, já passou por isso. Ou se de repente você é um dos que fazem o sinal nojento da catarrada ao passar perto de um cara que você ficou com inveja…( pensa nisso tá? )
De qualquer forma, a inveja masculina muitas vezes leva o sujeito invejoso a comportamentos estranhos, agressivos e até violentos. Pode levá-lo a provocar uma briga completamente desnecessária.
Tudo porque esse sentimento, vindo da pobreza do espírito, funciona quase como um ciúme descontrolado.
Gera agressividade.
Já uma mulher invejosa — geralmente, porque obviamente não existe regra absoluta — tende muitas vezes a permanecer mais no campo da fofoca, da intriga e das histórias inventadas para tentar derrubar sua “oponente”.
Também é algo maligno.
Uma mulher que se presta a mentir, difamar ou criar intrigas para prejudicar outra pessoa demonstra uma pobreza de espírito tão grave quanto a do homem invejoso.
As manifestações podem ser diferentes.
As consequências, talvez nem tanto.
Em 2017, por exemplo, trabalhei com um sujeito muito esquisito que simplesmente queria ser eu.
Sim. Queria não apenas o meu lugar na empresa — que acabou conseguindo — como parecia querer copiar partes da minha própria vida.
Certa vez, enquanto ainda éramos “amigos”, contei a ele que havia entrado em uma escola de música para aprender violão.
Na semana seguinte ele apareceu dizendo que também havia entrado em uma escola de música.
Algum tempo depois, contei que havia começado a fazer natação para aprender a nadar.
Uns dez dias depois, lá veio ele todo feliz anunciar que também estava fazendo natação.
Quando conseguiu descobrir quanto eu ganhava na empresa, certa vez olhou para mim e disse que ele merecia “ganhar…”
E falou exatamente o valor do meu salário.
Então sim: a inveja é algo diabolicamente real.
Não é à toa que a Bíblia diz que “a inveja apodrece os ossos”. Provérbios 14:30
Um homem dominado pela inveja pode se tornar um homem perigoso.
Uma mulher dominada pela inveja pode desenvolver uma enorme tendência a praticar o mal contra quem enxerga como concorrente.
Em ambos os casos, a pessoa passa a alimentar uma força que certamente não vem de Deus.
Uma frase interessante que ouvi certa vez da boca de uma pessoa invejosa foi:
“Não existe ninguém que não sinta inveja… Quem nunca?”
Quando ouvi aquilo, imediatamente comecei a refletir sobre mim mesmo.
E, sem hipocrisia e sem falsa modéstia, percebi que não sou uma pessoa invejosa.
Não me incomoda ver alguém prosperar, enriquecer, melhorar fisicamente, conquistar uma posição, comprar uma casa ou realizar um sonho.
Quando vejo alguém conquistar algo que eu também gostaria de ter, aquilo pode me fazer pensar em trabalhar mais, estudar mais, criar novos planos ou buscar novos caminhos.
Mas isso é completamente diferente de desejar que o outro perca aquilo que possui.
Inveja não é inspiração e nem força motriz como um dia vi um médico dizendo no Youtube que ele considerava a inveja força motriz, para que aguem se levante na vida. Isso também é diabólico. Aquilo que Deus condena, não pode ter nenhum lado positivo.
A inveja é um sentimento que possui a pessoa e faz com que a felicidade ou a conquista do outro provoque nela raiva, amargura e, em alguns casos, até desejos ruins contra alguém que talvez nunca tenha feito absolutamente nada contra ela.
E existe ainda uma característica curiosa.
Normalmente, o invejoso não perde o sono porque um jogador de futebol comprou uma Ferrari, porque um bilionário comprou uma ilha ou porque algum ator americano mora em uma mansão de cinquenta milhões de dólares.
A inveja costuma precisar de proximidade.
É o irmão.
O colega de trabalho.
O vizinho.
O conhecido.
A pessoa que acabou de chegar na empresa.
O sujeito que acabou de cruzar seu caminho.
É alguém suficientemente próximo para permitir a comparação.
Talvez seja exatamente aí que esteja uma das partes mais perigosas desse sentimento.
Dito tudo isso, espero sinceramente que algum invejoso leia este texto e seja tocado a procurar uma mudança junto a Deus.
Porque viver olhando para aquilo que pertence ao outro é uma prisão.
Já se você não vive dominado pela inveja, preserve isso.
Existe uma riqueza espiritual enorme em conseguir olhar para a felicidade, a beleza, o sucesso ou a prosperidade de outra pessoa sem sentir que aquilo diminui você.
O que Deus reservou para outra pessoa não rouba aquilo que Ele reservou para você.
Ah, e antes de terminar, preciso contar o que aconteceu com aquele sujeito que queria brigar comigo na “baladinha”.
Durante uma visita a uma das cavernas, ele entalou justamente na saída. Mas entalou de verdade. Se desesperou, e o desespero dele não permitia que ele saísse. Graças a Deus eu já havia passado, mas três pessoas ficaram no lado de dentro aguardando.
A barriga grande dele “entupiu” a saída da caverna e ele ficou preso por mais de uma hora até que o nosso guia turístico, conseguisse acalmar ele, tornando o corpo mais flexível e assim o bicho saiu.
Isso foi no dia seguinte a nossa baladinha…kk. Hoje lembrar parece engraçado, mas no dia fiquei preocupado com ele pois iria estragar nosso passeio se precisassemos chamar resgate para o senhor “invejinha”.
Meu abraço forte e reconfortante a todos.
Até mesmo aos invejosos.
HC de Souza
